sexta-feira, 27 de julho de 2018

Vovôs escolheram permanecer na ativa

Foto: Anne Pacheco

Publicado originalmente no site Comunicação VIP, em 23 de julho de 2018

Vovôs escolheram permanecer na ativa

Sabe aquela ideia de que depois dos 60 anos é hora de pendurar as chuteiras para cuidar dos netinhos? Há muito não se pensa assim. Com o aumento da expectativa de vida dos brasileiros para 75,8 anos, pessoas acima de 60 anos continuam na ativa por mais tempo e mostram disposição para o trabalho e a família. No Brasil, essa população é de mais de 30,2 milhões, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) de 2017, e os vovôs têm um dia só deles, 26 de julho, para receberem homenagens de toda a família e da sociedade pela experiência de vida e dedicação.

Diante da representatividade e do aumento da expectativa de vida dessa população, a Cencosud Brasil, quarta maior supermercadista do país – grupo ao qual pertence o GBarbosa e Mercantil Rodrigues – adotou a qualidade de vida na terceira idade como seu compromisso social. Por meio do programa Talentos Experientes a companhia incentiva a contratação de profissionais acima de 50 anos. “Com a contratação de talentos sêniores, queremos valorizar a experiência de vida destas pessoas e contribuir com mais qualidade de vida”, afirmou Fábio Oliveira, gerente de Responsabilidade Social da Cencosud Brasil. Para se ter ideia, quase 12,58% dos colaboradores da Cencosud Brasil têm mais de 50 anos de idade. Desde o lançamento do Talentos Experientes, foram contratadas 126 pessoas desta faixa etária. “Eles se destacam por serem dedicados, mais maduros e muito atenciosos com os clientes”, acrescenta Auda Farias, gerente de RH do GBarbosa, Perini e Mercantil.

Márcia Cristina é uma avó realizada profissionalmente

Um exemplo é a Coordenadora de Prevenção de Perdas do GBarbosa, Marcia Figueiroa, que tem 50 anos e há 29 trabalha na empresa. Há um ano e cinco meses ela ganhou seu primeiro netinho, Lucas Gabriel, e está radiante. “Ser avó é vivenciar a plenitude do amor, poder construir uma nova história de companheirismo e dedicação extrema. Compartilhar com os pais a educação dele”, expressou com emoção. Para quem tem uma rotina que inicia às 5h30 da manhã, Marcia diz que concilia toda a rotina doméstica e profissional, sem dispensar o momento de brincar e passear com o mais novo integrante da família.

“Ao final do expediente retorno para casa e preservo meu horário pra conversar com a família, dividir tarefas e brincar com meu neto”, conta a jovem vovó, que também é mãe de um adolescente de 16 anos.

Vovôs com poder de compra 

Com mais anos de vida pela frente e poder de comprar que deve superar os R$ 30 trilhões em todo o mundo em 2020, de acordo com relatório Consumer Generations, divulgado pela Tetra Pak, as empresas e marcas também estão mais atentas ao público sênior. O estudo aponta que no Brasil os idosos tinham 11% da renda do país, na última década e, nos próximos quatro anos, a expectativa é que passem a ter 16%. Outro dado relevante é que, na hora de escolher alimentos e bebidas, 88% das pessoas acima de 60 anos disseram priorizar a “qualidade do produto” como fator decisivo para a compra e 59% afirmaram que pagariam mais caro, desde que tivessem mais qualidade. A pesquisa entrevistou mais de 40 mil pessoas, de 27 países, incluindo o Brasil.

Outro estudo sobre hábito de consumo dos vovôs, realizado pela Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), apontou que dentre os mais de 400 participantes da pesquisa 86,4% deles afirmaram ser os responsáveis pelo controle das finanças e decidirem na hora da compra. Ao abastecer a dispensa, 55% deles afirmaram ir a redes de supermercados, semanalmente, sendo que 62% deles fazem a compra sempre no mesmo local.

No GBarbosa da Francisco Porto, por exemplo, os clientes acima de 60 anos representam cerca de 60% do fluxo diário de pessoas na loja. Para atender melhor a todos os consumidores e, particularmente, os idosos, a loja foi reformada, ganhando corredores mais largos, iluminação de LED, mais caixas preferenciais, bancos para descanso, jornais para uma leitura rápida e até cafezinho, além de uma variedade de produtos no setor de hortifrúti e na seção Mundo Saudável.

Texto e imagens reproduzidos do site: comunicacaovip.com.br 

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Se o cérebro precisa de açúcar para funcionar...

Publicado originalmente no site Brasil El País, em 4 JUN 2018 

Se o cérebro precisa de açúcar para funcionar, por que devemos parar de consumi-lo?

Mecanismo que abastece nosso organismo de glicose é um exemplo de sobrevivência

EVA VAN DEN BERG

Como disse o escritor e químico italiano Primo Levi em seu livro O Sistema Periódico, de 1975, “o destino do vinho é ser bebido, e o da glicose é ser oxidada”. Assim, não é à toa que esse composto orgânico é o principal combustível que fornece energia às células do organismo. Também aos neurônios do nosso cérebro, que, assim como o de todos os mamíferos, precisa de uma dose constante de glicose para funcionar.

No entanto, a OMS recomenda reduzir o consumo de açúcar livre (o que se acrescenta, não o que se encontra de forma natural em alguns alimentos como a frutose, nas frutas, ou a lactose no leite) a menos de 10% da ingestão calórica total do dia, e inclusive estimula que esse consumo seja inferior a 5%, pois isso “produziria benefícios adicionais para a saúde”. Neste ano, também a indústria alimentícia entrou num processo de reformulação de seus produtos para reduzir esses açúcares, além do sal e das gorduras saturadas. Mas por que, se a glicose é fundamental para o funcionamento do cérebro, não é bom que comamos açúcar?

Como o cérebro ‘come’ açúcar

A glicose – o termo vem do grego e significa algo como “açúcar de mosto” – é um composto orgânico muito comum na natureza, uma forma de açúcar formado por grandes moléculas que, através da chamada oxidação catabólica, se transforma em moléculas menores e mais simples, um processo que libera uma importante quantidade de energia utilizada para realizar o conjunto de reações químicas e fisicoquímicas que ocorrem em todas as células vivas do organismo, o que se conhece como metabolismo.

O cérebro especificamente consome 5,6 miligramas de glicose por cada 100 gramas de tecido cerebral por minuto, segundo Ramón de Cangas, da Academia Espanhola de Nutrição e Dietética. No cérebro de um indivíduo adulto, acrescenta ele, a maior demanda por energia procede dos neurônios, que têm gostos exigentes: para elas a glicose é primordial, porque, diferentemente das células comuns, que também obtêm energia de outras fontes, os neurônios dependem quase que exclusivamente dessa substância. Por isso, embora o cérebro represente menos de 2% do peso corporal, gasta até 20% da energia total que o organismo fabrica a partir da glicose; é o seu principal consumidor.

De onde tiramos a glicose

A glicose, portanto, é um componente essencial para a vida, e especificamente para o correto desenvolvimento das funções cerebrais. Entretanto, embora seja um açúcar simples, ou monossacarídeo, não é preciso comer açúcar nem alimentos doces para que o organismo conte com a quantidade necessária, um argumento ao qual frequentemente a indústria alimentícia recorre para justificar a inclusão de açúcares nos seus produtos.

Todos os alimentos que ingerimos acabam sendo transformados em glicose, especialmente os carboidratos: cereais, tubérculos, leguminosas, laticínios, frutas e hortaliças

“De fato, se uma pessoa adotasse uma dieta livre de açúcar isso não representaria nenhum problema: o organismo tem vários mecanismos para obter glicose”, aponta De Cangas. “Além de obtê-la através da alimentação, nosso corpo pode sintetizá-la a partir do glicogênio, um polissacarídeo armazenado no fígado e, em menor quantidade, nos músculos. Também se gera glicose a partir de subprodutos das gorduras chamados corpos cetônicos, os quais, em situações de hipoglicemia (baixo conteúdo de açúcar no sangue), podem suprir essa carência.” Outras fontes de energia são os ácidos graxos. “A gordura se armazena em forma de triacilglicerídeos (uma molécula de glicerol e três de ácidos graxos). Nos humanos, os ácidos graxos não podem originar glicose, mas o glicerol pode, embora em quantidades mínimas.”

A quantidade certa: nem muito nem muito pouco

Definitivamente, todos os alimentos que ingerimos acabam, em maior ou menor medida, sendo transformados em glicose, ou seja, em energia para o organismo. O tipo de alimento de mais fácil transformação é o grupo dos carboidratos. Eles incluem os açúcares livres, acrescidos a uma infinidade de produtos, mas também muitos outros, como os cereais, tubérculos, leguminosas, laticínios, frutas e hortaliças. Se mantivermos uma dieta saudável e nosso organismo funcionar bem, não há por que se preocupar: o suprimento de glicose está assegurado, mesmo que nunca mais comamos cup cakes. A evolução já se ocupou de criar recursos para obter o principal suprimento de energia celular.

Mas, como é sabido, o organismo pode falhar por múltiplas razões, também no que diz respeito à obtenção de glicose. Quando o fornecimento não é adequado, ou seja, quando a quantidade de glicose no sangue é excessiva ou insuficiente, ocorrem, respectivamente, hiperglicemia e hipoglicemia.

O diabetes é uma das causas mais disseminadas dessa disfunção, e se deve à resistência à insulina entre os afetados por essa doença. A insulina é o hormônio que se encarrega de regular a quantidade de glicose no sangue. Se ela não funciona, pode ocorrer tanto a hiperglicemia (de forma mais frequente) como a hipoglicemia, e as consequências disso são sempre negativas. “Os níveis permanentemente elevados de glicose no sangue podem causar danos em vários órgãos do corpo, como a retina, o rim, as artérias e o sistema nervoso”, diz De Cangas. “Por outro lado, os níveis baixos de glicose (por exemplo, causados pelo diabetes tipo 1 descontrolado) podem conduzir inclusive a um coma diabético e à morte do paciente.”

Quando o cérebro pede comida, está nos mandando um SOS

Se a glicose escasseia surgem várias disfunções e doenças, conforme evidenciou um estudo realizado por pesquisadores da Alemanha e Estados Unidos. “O metabolismo da glicose proporciona o combustível para a função fisiológica do cérebro através da geração de ATP – adenosina trifosfato, a molécula-estrela no processo de obtenção de energia celular nas reações químicas –, a base para a manutenção celular neuronal e não neuronal, assim como para a geração de neurotransmissores”, explica o estudo.

“Se o metabolismo da glicose for alterado”, diz De Cangas, “podem ocorrer várias alterações neurológicas, bem como obesidade, diabetes tipo 2, demência e Alzheimer: um dos sinais mais precoces dessa doença, aliás, é a redução do metabolismo da glicose cerebral”.

Cabe destacar, acrescenta De Cangas, que “se os neurônios não podem obter a glicose que necessitam, pode-se desencadear inclusive um processo de morte celular por autofagia; ao não contar com o alimento necessário para funcionar, estas células cerebrais obtêm a energia de si mesmas até morrerem”.

Por isso, quando os níveis de glicose estão abaixo do necessário, os neurônios enviam uma série de sinais de alarme ao conjunto do organismo: problemas de visão, irritabilidade, ansiedade, suores, enjoo, sonolência, confusão, fraqueza, fome… Um acervo de mensagens que levam a pessoa a corrigir essa falta de glicose ingerindo alimentos. Se a glicose não aumentar, podem ocorrer convulsões, desmaios e inclusive um coma, que poderia terminar com uma morte neuronal. Por outro lado, os sintomas da hiperglicemia (uma concentração de açúcar no sangue superior a 180 miligramas por decilitro) são sede desmesurada, dor de cabeça, problemas de concentração, visão imprecisa, micção frequente e perda de peso.

“Em seu caminho ascendente, que leva ao equilíbrio e por fim à morte, a vida cria uma alça e se agarra a ela”, diz Primo Levi sobre o processo pelo qual a glicose se oxida e vira energia. Sem dúvida, essa biomolécula é um bom exemplo da maravilhosa capacidade do organismo de adotar as mais intrincadas maneiras de se aferrar à existência.

Texto e imagem reproduzidos do site: brasil.elpais.com

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Um pouco de movimento não faz mal a ninguém!


Levante-se!

Um pouco de movimento não faz mal a ninguém! Aliás, faz é muito bem. Estudo realizado por pesquisadores da USP e da Universidade Federal de Pelotas conclui que se o tempo passado sentado fosse reduzido haveria maior longevidade. “No limite, reduzindo o tempo sentado em até 3 horas por dia, seriam evitadas 4% de mortes. Entretanto, reduções mais singelas já repercutiriam em grandes ganhos em saúde pública. Por exemplo, reduzindo em 2 horas/dia o tempo que ficamos sentados seriam evitadas 2% das mortes; se for uma redução de 1 hora/dia, teríamos 1,2% a menos de mortes”, aponta o educador físico Leandro Fórnias Machado de Rezende, da Faculdade de Medicina (FMUSP).

Mas, afinal, por que permanecer por muito tempo sentado eleva o risco de morte? Rezende explica que uma das respostas tem que ver com o fato de que a expressão de óxido nítrico do organismo diminui. Traduzindo, isso significa que podem ocorrer alterações cardiovasculares porque o óxido nítrico está relacionado a funções celulares. “Ocorre também a diminuição da ativação de uma enzima, a lipase lipoproteica, que é importante no metabolismo oxidativo, no controle de triglicérides, colesterol e outros fatores de risco metabólicos”, explica o doutorando do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP.

O jeito, então, é se mexer. Mas se seu trabalho o leva a ficar muito tempo sentado, tente se levantar de hora em hora, pelo menos; fazer uma breve caminhada, buscar água ou ir ao banheiro.

Já se você tem mais tempo livre, aproveite para se exercitar. Troque os momentos no sofá por momentos que exigem movimento. Seu corpo, quer dizer, sua vida agradece.

Texto e imagem reproduzidos do site: revistavidaesaude.com.br

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Médico japonês Shigeaki Hinohara, especialista em longevidade


Publicado originalmente no site Revista Pazes, em 11 de agosto de 2017.

Médico japonês que atendeu até os 105 anos, compartilha 12 de seus princípios para uma vida longa

Por Revista Pazes.

Para um médico especialista em longevidade, nenhuma apresentação de suas capacidades profissionais pode ser melhor do que sua própria vida – e esse é somente um dos atributos que classificam o médico japonês Shigeaki Hinohara como o mestre e a grande inspiração que foi.

Falecido recentemente aos 105 anos e ainda trabalhando, tendo vivido sua longa vida com saúde mental e física impecáveis, Dr. Shigeaki deixou não só sua história de intensa dedicação a medicina e a cuidados mais humanos com seus pacientes, como algumas dicas concretas para vivermos uma vida boa e longeva como parte de seu legado.

Nascido em 1911, Hinohara se tornou um dos médicos a dedicar mais tempo à saúde e à felicidade de seus pacientes no mundo. E o termo “felicidade” aqui não é usado por acaso: o médico foi um pioneiro no trato mais pessoal e individual dos pacientes e, mesmo depois de sua morte, segue como inspiração para melhorarmos a qualidade de nossas vidas.

Não há dúvidas: de vida, Dr. Shigeaki entendia – e por isso, vale lembrar aqui suas 12 mais importantes dicas, retiradas de uma entrevista que o médico deu aos 97 anos.

Alguns princípios do Dr. Shigeaki Hinohara:

1. Coma direito
“Todo mundo que vive uma longa vida, independentemente de nacionalidade, raça ou gênero, dividem uma coisa em comum: ninguém é acima do peso.”

2. Não pegue atalhos
“Para permanecer saudável, sempre suba de escadas e carregue suas próprias coisas. Eu subo de dois em dois degraus, para exercitar meus músculos.”

3. Redescubra sua energia juvenil
“Energia vem de sentir-se bem, não de comer bem ou dormir muito. Todos nos lembramos quando éramos crianças e estávamos nos divertindo, como esquecíamos de comer ou dormir. Eu acredito que podemos manter essa atitude enquanto adultos. É melhor não cansar o corpo com regras demais como hora de comer e hora de dormir.”

4. Mantenha-se ocupado
“Sempre se planeje com antecedência. Minha agenda já está completa pelos próximos cinco anos, com palestras e meu trabalho usual, no hospital.”

5. Mantenha-se trabalhando
“Não há necessidade de se aposentar jamais, mas se for preciso, deve ser bem mais tarde do que aos 65 anos. Cinquenta anos atrás, haviam somente 125 japoneses com mais de 100 anos. Hoje, são mais de 36 mil.”

6. Siga contribuindo com a sociedade
“Depois de uma certa idade, devemos nos esforçar para contribuir com a sociedade. Desde os 65 anos que trabalho como voluntário. Eu ainda trabalho 18 horas, 7 dias por semana e amo cada minuto.”

7. Espalhe seu conhecimento
“Divida o que você sabe. Eu dou 150 palestras por ano, algumas para 100 crianças do ensino médio, outras para 4.500 empresários. Eu normalmente falo por uma hora, uma hora e meia, de pé, para permanecer forte.”

8. Entenda o valor de diferentes disciplinas
“A ciência sozinha não consegue curar ou ajudar as pessoas. A ciência nos trata a todos como uma coisa só, mas as doenças são individuais. Cada pessoa é única, e as doenças estão conectadas com seus corações. Para entender as doenças e ajudar as pessoas, precisamos de artes livres e visuais, não somente de medicina.”

9. Siga seus instintos
“Ao contrário do que se imagine, os médicos não conseguem curar tudo e todos. Então pra quê causar uma dor desnecessária com, por exemplo, uma cirurgia, em certos casos? Eu acho que a música e a terapia animal podem ajudar pessoas mais do que os médicos imaginam.”

10. Resista ao materialismo
“Não enlouqueça pelo acúmulo de coisas materiais. Lembre-se: você não sabe quando será sua vez, e nós não levaremos nada daqui.”

11. Tenha modelos de vida e inspirações
“Encontre alguém que te inspire para procurar ir ainda mais longe. Meu pai veio para os EUA estudar em 1900, foi um pioneiro e um dos meus heróis. Mais tarde encontrei outros guias de vida, e quando me sinto paralisado, me pergunto como eles lidariam com o problema.”

12. Não subestime o poder da diversão
“A dor é algo misterioso, e divertir-se é a melhor maneira de esquecê-la. Se uma criança está com dor de dentes e você começa a brincar com ela, ela imediatamente esquece a dor. Hospitais precisam oferecer as necessidades básicas dos pacientes: nós todos queremos nos divertir. No St. Luke’s [hospital que dirigiu e trabalhou até o fim da vida] nós temos música, terapia animal e aulas de arte.”

“Minha inspiração é o poema “Abt Vogler”, de Robert Browning, que meu pai costumava ler para mim. Ele nos encoraja a fazer grande arte, não garranchos. Diz para tentarmos desenhar um círculo tão grande que não haja como terminá-lo enquanto vivermos. Tudo o que vemos é um arco, o resto está além da vista, mas está lá, na distância.”

Texto e imagem reproduzidos do site: revistapazes.com

domingo, 11 de junho de 2017

Mia Couto fala sobre vitalidade e amor no envelhecimento

Foto: Mia Couto / Crédito: Bel Pedrosa.

Publicado originalmente no site G1, em 11 de junho de 2017.

Mia Couto fala sobre vitalidade e amor no envelhecimento.

Por Mariza Tavares.

Mia Couto: “O envelhecimento é uma desistência do desejo de ser um outro”.

 A conferência magna do Congresso de Cérebro, Comportamento e Emoções, que será realizado de quarta a sábado em Porto Alegre, será dada pelo premiado escritor moçambicano Mia Couto, traduzido em mais de 20 países. O autor, que também é biólogo, vai discorrer sobre como os avanços da ciência podem levar a uma nova dimensão do entendimento do ser humano. Mia, que completará 62 anos mês que vem, deu esta entrevista ao blog por e-mail, na qual falou sobre o envelhecimento e disse que manter a vitalidade depende da capacidade de fazer amigos e de amar e ser amado.

O senhor trafega em dois mundos: há o Mia Couto biólogo, que usa a lente da ciência para enxergar a vida, e o Mia Couto escritor, que traduz a vida em literatura. Como essas duas dimensões se fundem e encaram o envelhecimento?
Mia Couto: A vida só em parte pode ser enxergada. E o que se torna visível em lente são apenas os mecanismos, os sinais que traduzem atividade. Mas os seres vivos são organismos e não podem ser reduzidos a mecanismos. Existe uma fronteira entre o que a ciência empreende para definir e para descrever e aquilo que fica para além disso, que reside como mistério, como desafio de descoberta. Para mim não existe conflito, a biologia que eu quero é aquela que procura a história, que busca as histórias e as linguagens e as interrelações entre as pessoas e as criaturas que, mais do que organismos vivos, são a própria vida. O envelhecimento, nesta perspectiva, é apenas um cansaço de existir. Possui um desgaste físico, traduz uma duração das peças que nos compõem. Mas é bem mais que isso, é uma desistência do desejo de ser um outro e de viajar para outras histórias, outras identidades.

A geração baby boomer, à qual o senhor pertence, reinventou o conceito de adolescência e juventude, incensando e prolongando a passagem para a vida adulta e a maturidade. Agora, esta é geração que vive o bônus da longevidade. O senhor acredita que os baby boomers acabarão também reinventando a velhice?
Mia Couto: É a primeira vez que alguém me chama uma coisa assim. Não sabia, confesso, que existia essa categoria. Mas é claro que ela se aplica a uma geração localizada e não sei se o lugar de onde venho (que é da África de Leste) se pode subordinar a essa classificação. Mas entendo a pergunta, ou pelo menos acredito que posso dizer algo. Quando eu era jovem uma pessoa de 50 anos era velha. E era realmente, na sua postura, no seu olhar. Eu tenho 60 e apenas em certos momentos percebo que me pesa a idade. Essa reinvenção da velhice está a suceder e não é tanto pelos cosméticos, pela profusão altamente rentável de produtos antienvelhecimento. É por uma atitude interior, uma vitalidade que se alcança pela capacidade de fazer amigos, de amar e ser amado e de ser dono do sentido de tempo.

De que forma o senhor acredita que a neurociência vai ajudar a repensar o ser humano, tema da conferência magna que dará na abertura do Congresso do Cérebro?
Mia Couto: Na verdade, nenhuma ciência pode fazer isso sozinha. Conhecer o cérebro humano e os processos cognitivos e comportamentais pode ajudar imenso a decifrar zonas que até hoje permanecem obscuras. Mas eu gostaria de pensar que a própria neurociência se deve pensar criticamente e aceitar os limites da sua intervenção. É fácil crer que os neurocientistas, porque tocam nos segredos dos segredos, conhecem mais do que ninguém o ser humano. Mas isso não é tão simples. O que nos faz ser humanos não são apenas essências físicas, químicas ou complexos circuitos neuronais. É algo que se localiza nas relações intangíveis, nas trocas que não podem ser traduzidas em números. Há uma dose de mistério que não irá nunca ser completamente conhecida. E isso não é mau. Precisamos de saber mais, mas faz da nossa natureza fascínio pelo desconhecido.

Texto e imagem reproduzidos do site: g1.globo.com/bemestar

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Apenas 38% dos sergipanos praticam atividade física, diz IBGE.

Foto: Humberto Alves/F5 News.

Publicado originalmente no site F5 News, em 27 de maio de 2017.

Saúde - Apenas 38% dos sergipanos praticam atividade física, diz IBGE.

Por Will Rodriguez.

Apenas três em cada dez sergipanos com mais de 15 anos de idade praticou algum tipo de atividade física durante um ano. A informação é de uma pesquisa divulgada este mês pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com a pesquisa, 38% dos sergipanos fizeram algum exercício entre setembro de 2014 e setembro de 2015, o que corresponde a 1.720 pessoas, a maioria do sexo feminino. Sergipe tem o quarto maior número de pessoas que se exercitam no Nordeste. No ranking nacional, ficou na 12º posição.

O estudo constatou que a prática é mais frequente na faixa de idade entre 15 e 17 anos, na qual mais de 50% dos entrevistados responderam ter praticado algum esporte ou atividade física no período de 365 dias de referência, enquanto na faixa etária de 60 anos ou mais este percentual caiu para 27%.

O levantamento revelou que a falta de tempo e o desinteresse foram os principais motivos apontados pela parcela da população que reconheceu ter ficado sedentária no período pesquisado, seguido de problemas de saúde ou idade.

O profissional de Educação Física Caio Cezar Brito diz que, para começar a se exercitar e fazer isso virar uma rotina, a dica é escolher uma atividade que gosta, identificar um horário disponível, ter disciplina e atitude.

“É possível começar a se exercitar em qualquer idade, porém, é imprescindível consultar um médico antes, seja qual for a faixa etária. A escolha da atividade depende de cada pessoa, o ideal é procurar uma que o indivíduo realmente goste de praticar, para que não tenha abandono cedo. No entanto, se o objetivo for emagrecimento ou ganho de massa muscular, a atividade deve ser a musculação e exercícios intercalados de alta intensidade”, explica Caio Cezar.

O especialista acrescenta que intensidade e frequência dos exercícios variam de acordo a evolução durante a programação dos treinos. “A não realização de um planejamento adequado referente à intensidade e frequência pode causar lesões muito sérias e a falta dos resultados”, diz Caio Cezar.
Os entrevistados disseram que a principal razão para a prática de esporte foi melhorar a qualidade de vida, o bem-estar ou manter o desempenho físico. De acordo o personal, eles têm razão.

“Para uma qualidade de vida e saúde é fundamental um conjunto entre atividade física e nutrição, resultando assim em um baixo percentual de gordura, mais energia e  disposição”, conclui Brito.

Texto e imagem reproduzidos do site:  f5news.com.br

terça-feira, 26 de julho de 2016

Nervosismo e stress podem causar doenças no estômago



Publicado originalmente pelo site do Jornal da Cidade, em 04/04/2016.

Nervosismo e stress podem causar doenças no estômago
Provavelmente você já passou por momentos de irritação que refletiram diretamente em dores e queimação no estômago.

Por: JornaldaCidade.Net


Provavelmente você já passou por momentos de irritação que refletiram diretamente em dores e queimação no estômago. Mas você já parou para pensar qual a causa disso? Muitas vezes, estes problemas podem estar relacionados a fatores psicossomáticos, como nervosismo, ansiedade e stress.

Mas antes de ir a fundo ao assunto, vamos explicar alguns termos. A palavra psicossomática é de origem grega. É resultado da junção das palavras psique (psico – alma) e soma (corpo). Logo, uma doença psicossomática é aquela que não é exclusivamente corporal, mas tem origem na alma.

O corpo humano possui uma glândula que tem a capacidade de ligação direta com o hipotálamo, no cérebro. Esta glândula é a responsável pela geração dos hormônios que controlam as funções do organismo e, ao perceber as emoções do indivíduo, acaba alterando sua conexão com cérebro e reagindo.

Segundo a psicóloga Joana Chaves, a maior dificuldade para se diagnosticar um problema de doença psicossomática é o fato de que a pessoa não possui consciência de que ela está sendo causada por seus próprios sentimentos. “Por se tratar de algo que envolve o psicológico, o diagnóstico deve ser feito por um psicólogo ou psiquiatra. Portanto, o acompanhamento médico é fundamental para o diagnóstico seguro”, explica.

Problemas com o estômago.

O Trato Gastrointestinal ou canal alimentar possui um sistema nervoso próprio chamado Sistema Entérico. Este, por sua vez, é formado por uma série de células nervosas e neurônios que possuem ligação direta com o sistema nervoso central e o cérebro. Justamente por isso é possível observar que grandes flutuações de humor e emocionais interferem em uma reação do estômago.

O fato de o estômago responder a sensações de nervosismo, ansiedade e stress, pode ocasionar a Gastrite nervosa e deixar o órgão mais suscetível a infecções. Levar uma vida corrida, com um tanto de estresse e ansiedade e mais um tanto de comida pouco saudável ingerida às pressas. Esse estilo de vida, tem forte impacto na saúde, e um dos mais prejudicados é o estômago.

O médico especializado em gastroenterologia, Dr. Wellington Sabino Ribeiro, informa que uma das maneiras mais eficazes de evitar esse problema é identificar e tratar as causas do stress e ansiedade. “Se o indivíduo vem observando uma relação muito intensa entre as suas emoções e o seu estômago e isto está lhe causando problemas, é importante que ele procure o profissional especializado para não gerar problemas mais graves no futuro”, sugere.

Como um estômago nervoso não é uma doença, os sintomas dependem dos fatores que vem causando e até agravando a situação de cada paciente. Os sintomas mais comuns são: diarréia, prisão de ventre, diarréia alternando com prisão de ventre, muco ou sangue nas fezes, dor abdominal crônica, além de outros sintomas como náusea, acidez, inchaço após as refeições, flatulência, refluxo ácido, dentre muitos outros. “Se você vem observando uma relação muito intensa entre as suas emoções e o seu estômago e isto está lhe causando problemas, o ideal é agendar o mais breve uma consulta com um gastroenterologista”, finaliza Dr. Wellington Sabino Ribeiro.

Texto e imagem reproduzidos do site: jornaldacidade.net